
Nas zonas rurais de países em desenvolvimento, e até mesmo em áreas urbanas, uma prática bastante usual é a queima de combustiveis sólidos como a lenha, carvão mineral e vegetal, e resíduos orgânicos para obtenção do fogo e sua energia térmica. No Brasil o alto custo do botijão de gás ou sua indisponibilidade obriga as parcelas mais carentes da população a utilizarem fogões a lenha primitivos que, ao mesmo tempo que possuem um baixo aproveitamento energético, também geram fumaça no ambiente da cozinha.
A poluição gerada por estes primitivos fogões geram no interior das residências uma quantidade de fumaça que muitas vezes chega a atingir 100 vezes os níveis recomendados pela Organização Mundial de Saúde. A exposição a esse tipo de poluição é um alto fator de risco para infecções respiratórias agudas, principalmente entre mulheres e crianças, sendo estas últimas a mais vulneráveis. A exposição à fumaça da lenha muitas vezes equivale a uma contaminação pulmonar por fumar 2 maços de cigarros ao dia.
Um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS), divulgado em 2002, mostrou que em todo o mundo 1,6 milhões de pessoas morrem anualmente (3 mortes por minuto) devido a exposição à fumaça da lenha em ambiente doméstico, um número que coloca este tipo de poluição doméstica na mesma ordem de grandeza de problemas globais de saúde, como é o caso da AIDS e malária.
Apesar de ser uma questão crucial de saúde, não existem ainda esforços coordenados de governos e organismos no Brasil para enfrentar este problema, apenas iniciativas isoladas.
Entretanto, com o melhoramento tecnológico dos fogões, o consumo de lenha poderia ser reduzido à metade, contribuindo também para minimizar o impacto no meio ambiente, além de preservar a saúde humana.
Como forma de promover uma conscientizaçao e discussão sobre o assunto e propor alternativas, o Instituto Winrock Internacional realizará, nos dias 16 e 17 de outubro próximo em Brasilia, o Encontro Internacional sobre Poluição Doméstica, Fogões Ecológicos e Desenvolvimento Sustentável.
Para este encontro especialistas nacionais e internacionais se reunirão com o objetivo de discutir esta problemática, e explorar alternativas apropriadas à realidade brasileira, incluindo o conceito de “fogões ecológicos”, uma tecnologia que transforma o uso da lenha num processo mais moderno e humano, já que evita a exposição à fumaça e fuligem.
Este evento acontecerá no auditório do Ministério das Cidades, em Brasília, e contará com o apoio da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), Fundação Shell, Centro de Referência para Energia Solar e Eólica Sérgio de Salvo Brito (CRESESB), Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (CEPEL) e Ministérios de Minas e Energia e Meio Ambiente.
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